Joomla! Volunteers Portal

Quem me conhece, sabe que tenho espírito rebelde. Sou praticamente uma Katniss Everdeen brazuca. Foi justamente por isso que o Joomla! me atraiu. Primeiramente, por ser um software livre (FOSS), cujos valores de colaboração, autonomia e empoderamento do usuário muito me agradam. O segundo motivo foi o fato de não existir uma empresa comercial por trás do negócio. O Joomla! é totalmente gerido pela comunidade e os líderes são todos voluntários. Eu acho isso fantástico! Uma subversão da ordem. Um modelo de gestão que eu realmente acredito, inclusive em âmbito de Governos - com mecanismos de participação da sociedade civil organizada, por meio de ferramentas como Orçamento Participativo e Conselhos diversos.  

Isso não quer dizer trabalhar para assistencialismo, caridade. Não quer dizer: "todos estamos aqui apenas por ideologia". As pessoas envolvidas têm sim objetivos financeiros. Mas esses objetivos são concretizados a partir de suas próprias empresas ou freelances. Ninguém ganha dinheiro explorando a marca Joomla!, mas vendendo seus próprios serviços. Aprimorar o Joomla!, é também aprimorar seus serviços. [Mas eu confesso que sou uma das pessoas que está no Joomla! simplesmente por ideologia].

Acredito nesse modelo de gestão participativa e também que o Joomla! representa uma grande oportunidade de desenvolvimento social. Imagine uma pessoa que não teve oportunidades na vida. Ela pode sim baixar o software gratuitamente e aprender a fazer sites sozinha com o material disponível na internet e apoio do fórum. Se ela se dedicar a isso, certamente ela tem uma fonte de renda mensal maior que o salário mínimo. Na entrevista que fiz com Kazuo Gomi Filho, voluntário que coordena um projeto de capacitação gratuita em Joomla! em parceria com Institutos Federais de Educação, ele contou sobre um ex-detento que decidiu criar um site para compartilhar informações úteis para outros ex-detentos, que geralmente se sentem perdidos ao sair da prisão, sem saber como recomeçar. O site poderia ajudar com orientações, por exemplo, de que agências eles podem procurar para conseguir um emprego e como fazer um bom currículo. Isso pode significar menos pessoas reincidindo no crime, o que ajuda não apenas o Estado, o ex-presidiário e sua família, como eu e você - que não seremos mais vítima dessa pessoa, pois ela não será mais um bandido.

Pode ser uma oportunidade para jovens provenientes de classes baixas que têm dificuldade para competir no mercado de trabalho com os filhos da classe média. Ou uma oportunidade para mulheres que vivem num relacionamento violento/abusivo e não conseguem sair dele pois não têm condições de sustentarem seus filhos sozinhas. Uma oportunidade para o profissional maduro que perdeu o emprego e agora tem dificuldade de se recolocar no mercado, porque as empresas preferem em geral pessoas mais novas. Também para alguém que quer cursar uma faculdade mas precisa trabalhar para pagar a mensalidade, ao mesmo tempo que as aulas consumiriam o tempo de uma jornada normal de expediente tradicional - trabalhando com Joomla!, ela pode fazer seu próprio horário e manter o trabalho e a faculdade ao mesmo tempo. Para uma organização sem fins lucrativos manter seu próprio site e aplicar os recursos que seriam gastos com ele em sua atividade fim. Entre outros.

Mais do que isso. Quando você empodera as pessoas, quando elas aprendem a ter autonomia, a buscar informações, a fazer por si mesmas, elas mudam. Passam a usar essas novas competências em várias outras esferas de sua vida. 

O mesmo vale para o aprendizado de novas habilidades como promover eventos, falar em público, dar aulas, entre outros. A pessoa pode tornar-se um(a) melhor profissional, melhor pai/mãe, melhor aluno/aluna etc. 

E, o que eu acho mais transformador: quando se aprende a trabalhar colaborativamente numa comunidade auto-gerida por ela mesma, quando se desenvolve o sentimento de pertença, quando se percebe que um ser humano qualquer (sem nenhuma habilidade excepcional) pode ajudar em coisas pequenas e também grandes, as pessoas se tornam mais críticas e politicamente mais ativas. Isso ela leva também para os outros aspectos de sua vida, podendo torná-la uma melhor cidadã/cidadão e impactar no desenvolvimento da realidade à sua volta.  

E é assim que se muda o mundo. Mudando o micro, se impacta o macro - isso é Gramsci, se não me engano. Subvertendo a lógica capitalista que prega que existem oportunidades para todos e todas que se empenharem, o que é uma das maiores falácias que as pessoas acreditam. As oportunidades NÃO são iguais para todos. Dependendo do lugar em que você nasce, da cor da sua pele, da sua religião, da condição econômica de sua família, se é homem ou mulher, as oportunidades serão diferentes e essas coisas dificilmente se tem o poder de mudar.

É por isso que estou trabalhando pelo Projeto Joomla! e pela comunidade brasileira há quase dois anos. Porque, como Martin Luter King, eu também tenho um sonho...

 

 

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